A inclusão dos novos tributos em Nota Fiscal
Por Ivo Neri Avelar, coordenador da área Consultoria Tributária na Andrade Silva Advogados.
A Reforma Tributária entrou definitivamente na rotina das empresas. A partir desta nova etapa da implementação, os contribuintes passam a conviver com uma obrigação que, embora ainda não represente recolhimento efetivo dos novos tributos, exige adaptação imediata dos processos internos: a inclusão da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) nas notas fiscais eletrônicas.
Na prática, a mudança representa muito mais do que uma atualização de layout dos documentos fiscais. Ela inaugura um novo modelo de gestão tributária, no qual sistemas, ERPs, processos de faturamento e controles internos precisam conversar de forma integrada para garantir que as informações sejam transmitidas corretamente.
Durante 2026, a apuração dos novos tributos permanece em caráter experimental, sem efeitos financeiros diretos sobre a carga tributária. Ainda assim, a emissão correta dos documentos fiscais passa a ser uma obrigação acessória cuja inobservância pode comprometer operações comerciais, dificultar a emissão de notas e gerar riscos de conformidade à medida que as validações técnicas se tornam obrigatórias.
O impacto é especialmente relevante para empresas que utilizam sistemas próprios, ERPs personalizados ou integrações complexas entre faturamento, logística, compras e contabilidade. Não basta apenas atualizar o software de emissão de notas; é necessário revisar cadastros de produtos, parametrizações fiscais, regras tributárias e procedimentos operacionais.
Outro aspecto estratégico envolve a governança tributária. A reforma desloca parte importante da gestão fiscal para a qualidade das informações transmitidas eletronicamente. Dados inconsistentes podem afetar controles internos, aproveitamento futuro de créditos tributários e auditorias fiscais, tornando indispensável a participação conjunta das áreas tributária, contábil, tecnologia e compliance.
Embora muitas empresas ainda enxerguem essa fase como um período de testes, a realidade é que 2026 funciona como um grande ambiente de preparação para o novo sistema tributário brasileiro. Organizações que anteciparem ajustes terão menor risco operacional quando a cobrança efetiva dos novos tributos entrar em vigor.
Mais do que uma obrigação fiscal, a adaptação representa um projeto de transformação empresarial. Empresas que utilizarem esse período para revisar processos, fortalecer controles e investir em tecnologia estarão melhor posicionadas para enfrentar a transição da Reforma Tributária com segurança, eficiência e menor exposição a contingências futuras.
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