STF marca para fevereiro julgamentos importantes para área tributária

STF marca para fevereiro julgamentos importantes para área tributária

Por Ivo Neri Avelar, coordenador da área Consultoria Tributária na Andrade Silva Advogados


O início de 2026 recoloca o Supremo Tribunal Federal no centro do debate fiscal e tributário nacional. A pauta prevista para fevereiro inclui julgamentos que, segundo estimativas oficiais constantes da Lei de Diretrizes Orçamentárias, podem gerar um impacto potencial de até R$ 51,9 bilhões para a União. Não se trata apenas de números expressivos, mas de decisões capazes de redefinir parâmetros relevantes da tributação sobre o consumo e da relação entre contribuintes e Fisco.

Entre os temas de maior repercussão está a discussão sobre a inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da Cofins. O caso é visto como um desdobramento direto da chamada “tese do século”, que excluiu o ICMS dessas contribuições. Caso o STF consolide entendimento favorável aos contribuintes, empresas do setor de serviços poderão revisar passivos tributários relevantes, com reflexos diretos em fluxo de caixa, provisões contábeis e estratégias de precificação.

Outro julgamento sensível envolve os créditos presumidos de ICMS e sua incidência na base do PIS e da Cofins. A controvérsia extrapola o debate técnico e alcança o pacto federativo, pois toca na autonomia dos Estados para conceder incentivos fiscais e na possibilidade de a União neutralizar esses benefícios via tributação federal. Para empresas beneficiárias desses créditos, a decisão pode representar a manutenção ou a perda de uma vantagem competitiva relevante.

Do ponto de vista macroeconômico, decisões desfavoráveis à União pressionam o resultado fiscal, ampliam o debate sobre compensações orçamentárias e reforçam a tendência de maior rigor arrecadatório por parte da Receita Federal em outras frentes. Historicamente, derrotas bilionárias no STF costumam ser seguidas de alterações legislativas, mudanças interpretativas e intensificação da fiscalização.

Para as empresas, o momento exige atenção redobrada. É recomendável revisar exposições tributárias, avaliar a existência de ações judiciais relacionadas aos temas em pauta, reexaminar provisões e mapear oportunidades de recuperação de créditos, sempre com cautela e alinhamento à estratégia do negócio. Em um ambiente de elevada litigiosidade e pressão fiscal, acompanhar de perto a agenda do STF deixa de ser um exercício acadêmico e passa a ser uma ferramenta essencial de gestão de riscos e tomada de decisão.

Ficou alguma dúvida? Conte com a equipe da Andrade Silva Advogados.


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