Recorde de Recuperações Judiciais em 2025: um alerta para a gestão de caixa e a governança nas empresas
Por Rodrigo Macedo, sócio e especialista em Recuperação de Empresas na Andrade Silva Advogados.
Em 05/02/2026, o Valor Econômico noticiou que 2025 encerrou com 5.680 empresas em recuperação judicial no Brasil, conforme dados do “Monitor RGF de Recuperação Judicial”.
O número representa aumento de 24,3% em relação ao número final de 2024. No mesmo período, 1.665 empresas ingressaram em recuperação e 561 encerraram seus processos, evidenciando a intensificação do uso do instrumento como resposta a cenários de estresse financeiro.
Na prática, os indicadores reforçam um ambiente em que o custo do capital e a seletividade do crédito elevam a pressão sobre o caixa, especialmente em negócios já alavancados, muitos deles alavancados por linhas de crédito já concedidas em períodos de crise anteriores.
Ao mesmo tempo, a recuperação judicial deixou de ser vista como sinônimo de falência e, diante de tanto casos de sucesso amplamente divulgados, passou a ser compreendida, com maior maturidade, como um mecanismo de reorganização que pode preservar operação, empregos e relações comerciais, naturalmente, quando sustentado por um plano viável e por uma boa governança.
O aumento dos pedidos, porém, também eleva o risco de efeito cascata em determinadas cadeias produtivas e torna mais exigente a negociação com credores. Isso exige planejamento realista, disciplina de implementação e transparência no diagnóstico e nas ações a serem implementadas nas causas da crise, sob pena de perda rápida de credibilidade.
Nesse contexto, ganham relevância alternativas de financiamento estruturado e soluções de curto prazo para estabilização de liquidez, incluindo com destaque maior interesse do mercado de investimentos em créditos estressados.
Para as empresas que já sentem pressão de liquidez, o ponto central é agir antes de haver ruptura, com diagnóstico financeiro objetivo, revisão de capital de giro, coordenação de tratativas com os principais credores e construção de um plano factível, com premissas claras, gatilhos de ajuste e boa governança no acompanhamento.
Quanto mais cedo a companhia organizar informações e enfrentar causas internas, maior a chance de atravessar o ciclo preservando valor e continuidade.
Ficou alguma dúvida? Conte com a equipe de Recuperação de Empresas da Andrade Silva Advogados.